Associação dos Moradores e Amigos do São Lourenço

Troféu Compromissos com a Natureza

Troféu Melhores do Ano de 2002

Mobilização do Ano em 2003

"Utilidade Pública Lei Nº 10.728, de 01/07/2003"

" PRÊMIO ECOLOGIA E AMBIENTALISMO 2004 "

Outorgado em Sessão Solene da Câmara Municipal de Curitiba - Junho/2004

O Semeador de Esperanças

 

 

Olá Amigo(a) do São Lourenço,

Quero repartir com você uma história muito especial...

É um texto um pouco longo, mas conta uma história que você nunca ouviu e que jamais esquecerá... 

Peço que a leia sem pressa e com muita atenção, pois aconteceu comigo e é a primeira vez em 28 anos que falo sobre isso...

 

 

Muitos Amigos(as) tem perguntado 

" como tudo isso (nossa grande rede de cooperação e amizade) começou? "

Para falar disso, preciso contar uma pequena mas emocionante história: 

A história do Anjo Olegário

Nos idos de 1979, eu era mais um dos estudantes - recém chegados a Curitiba - em busca de um emprego melhor, sem lugar para morar, e com dois vestibulares para fazer. Fui muito bem recebido pelas pessoas desta cidade e um mês depois, graças a minha persistência, já tinha um emprego melhor, dividia uma kitinete com outros dois colegas e havia passado no vestibular. Durante a semana trabalhava e estudava e, nos finais de semana, voltava para a cidade onde minha família morava.

Segunda-feira cedinho, às 6 da manhã, lá estava eu de volta na Rodoferroviária, mochilão nas costas, cheia de roupas e livros (sempre gostei de ler e nem imaginava que anos mais tarde me tornaria um editor). Para economizar, eu ia a pé da "Rodo" até perto da Praça Oswaldo Cruz... E aprendi a gostar de caminhar... Cedinho, com a maior parte da cidade ainda dormindo, eu contava os passos respirando o ar frio das manhãs curitibanas...  

Porém, numa dessas caminhadas uma coisa curiosa aconteceu...  Achei várias moedas na calçada e pensei: que sorte a minha !! Parei na primeira lanchonete e tomei um pingado com o famoso pão com bife - feito na hora - uma delícia...

Depois daquele dia, a cada caminhada de segunda-feira, não tirava mais os olhos do chão...  E por diversas vezes achei muitas moedas... Algumas sozinhas, outras em bando (será que alguém já ouviu falar em bando de moedas?)... E fiz vários "lanches sortudos"...

Só depois de algumas "segundas-feiras de sorte" - no mesmo caminho ( ! ) - é que achei que alguma coisa estava errada...  Como é que pode esse pessoal de Curitiba perder tanta moeda no chão?  Será que isso acontece na cidade toda?? Assim o povo não precisa nem trabalhar - é só sair catando moeda por aí...

E foi então que me deparei com um pensamento completamente inesperado: 

E se alguém está jogando essas moedas de propósito? Não... Ou é um louco ou então é alguém que gosta de deixar as moedas por ali, para que as pessoas que precisam as encontrem - pensei. E naquela hora me senti um monstro, por ter tirado aquelas moedas da calçada - pois sempre há alguém precisando delas mais do que a gente...

Durante aquela semana minha curiosidade foi aumentando e o número de possibilidades para as tais "segundas-feiras de sorte" também...

Chegou o sábado e eu não viajei... Contei as horas da tarde do domingo andando pelas três quadras onde encontrara a maior parte das moedas...  Nada...  Voltei no outro domingo... No finzinho da tarde, quando estava pronto para desistir, vi o "Olegário"...  Seu verdadeiro nome eu nunca soube, mas o chamei de Olegário porque conhecia um senhor com esse nome - muito bonzinho - quase da mesma idade (uns 60) e muito parecido com ele - que também usava chapéu e bengala. Vestia-se bem e apesar da idade, andava com elegância...

Alguma coisa me disse que era ele... O tal anjo que distribuía as "moedas da sorte".  E não deu outra - mais alguns passos observando do outro lado da rua e ele põe a mão no bolso e joga as moedas no chão, como faz um agricultor quando semeia o chão...  Algumas moedas ainda rolaram pela calçada, indo parar mais adiante...  Ninguém vai acreditar, quando eu contar - pensei...

Em segundos atravessei a rua (Sete de Setembro) e fui falar com ele...  Como era de se esperar ele se assustou quando viu alguém correndo feito louco na sua direção...  Calma! Disse a ele. Eu só quero agradecer ao senhor...  Suas moedas me ajudaram muito e eu só queria que o senhor soubesse disso. Mais calmo ele me ouviu contar sobre as minhas "segundas-feiras de sorte" e até rimos da situação. Perguntei o nome dele, mas não quis me dizer... Falei que ia chamá-lo de Olegário em homenagem a um bom homem, parecido com ele e mais uma vez rimos muito...  O senhor me surpreendeu! - disse ele.  Faz muitos anos que faço isso e acho que as pessoas encontram as moedas, mas ninguém se pergunta de onde elas vieram...

Conversamos por uns dez minutos, até que o "Olegário" interrompeu dizendo que precisava ir...

Pedi então para fazer uma última pergunta e ele consentiu: Como o senhor sabe se as pessoas que encontram essas moedas não vão direto para o bar, encher a cara ou comprar cigarros? 

Se o senhor conseguiu me achar é porque merece umas respostas...  " Eu me sinto assim mesmo - como um Amigo fazedor de esperanças. Sou sozinho e recebo aposentadoria. Tenho saúde e troco o dinheiro que os outros velhos gastam com remédios em moedas. O pessoal do banco nunca entende o que eu faço com tanta moeda (rindo). As pessoas acham uma moeda, ficam alegres e se sentem com sorte - mesmo que seja por uns poucos segundos. Eu não jogo moedas - jogo bons pensamentos, jogo sorte, jogo alegrias e jogo esperança - e quem sabe até uma boa refeição a quem precisa (emocionado). Não é muito - o senhor viu - mas se outros fizerem o mesmo, o Brasil estará cheio de gente com bons pensamentos, com mais alegria e mais esperança... Se quem achar usar para alimentar um vício, vai morrer mais cedo...", disse ele.

"Procure fazer o mesmo - distribua o que o senhor mais deseja na sua vida. Não conte a ninguém que me viu jogando moedas na calçada - as pessoas não entendem as coisas como deveriam - alguns me chamam de velho louco. Daqui uns quinze, vinte anos, eu vou morrer e muita gente vai sentir que perdeu a sorte, por não achar mais moedas...  Quem sabe até lá o senhor já esteja em condições de fazer o mesmo. As pessoas gostam de fazer o bem, só que muitas vezes complicam, adiam e acabam não fazendo nada. É tão fácil ser Amigo! O senhor não acha?"  Despediu-se educadamente e foi embora...

Foi uma grande lição de vida que o velho Olegário me passou... Fui para casa e escrevi tudo, com medo de esquecer o que tinha aprendido...

"Temos que alimentar os bons pensamentos, a sorte, as alegrias e a esperança...  Se alimentarmos vícios morreremos mais cedo..."

Passei outras vezes procurando encontrá-lo naquela rua, mas ele não apareceu mais...  Senti-me culpado por ter desvendado aquele mistério do tal anjo que distribuía as "moedas da sorte"...   Um mês depois, num outro domingo, fiquei muito feliz ao vê-lo caminhado em outra calçada, numa outra rua, seis quadras do local anterior...  Imediatamente mudei de direção, porque sabia que ele não queria ser encontrado.

Percebi que, por minha causa, ele havia mudado o seu trajeto e que poderia ter alguma coisa de especial no local que ele escolheu... E de fato aquela rua (Sete de Setembro) era o caminho de muitos (como eu) que chegavam do interior em busca de uma vida melhor, de mais sorte e de mais esperança...  E desde então, acabei tomando o lugar dele - mais um louco jogando moedas naquela e em outras ruas... 

Onde anda o "Olegário"? Não sei...  Mas sempre que vejo um velhinho de bengala lembro dele...  Isso me ensinou também a valorizar e respeitar os idosos...  Vinte e cinco anos se passaram, passei por ele algumas vezes na rua, mas percebi que não me reconheceu. Faz uns três anos que não o vejo... Espero que esteja bem - onde estiver. Sinto que respeitei a vontade dele de não tocar mais no assunto, mas sempre levei comigo aquela lição...

É a primeira vez que conto essa história - "A história do Anjo Olegário", que bem poderia se chamar

" Uma boa ação muda uma vida - muda o mundo... "    mudou a minha vida e agora está mudando a sua...

Olegário, meu velho...   Você conseguiu! 

As suas sementes de bons pensamentos, sorte, alegria e esperança brotaram, cresceram fortes e hoje são árvores frondosas, cheias de flores e de frutos, como você tanto queria...  Nestes 25 anos conseguimos fazer coisas que diziam ser impossíveis de realizar...

Se essa mensagem circular e de alguma forma chegar a você, receba o meu mais sincero abraço, meu Amigo.

Fraternalmente,

César Paes Leme

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Na próxima vez que encontrar alguém apanhando uma moedinha no chão, dizendo: " que sorte !! ",  você vai lembrar dessa história e dos amigos do " Anjo Olegário ", aprontando das suas...   As vezes vejo uma moeda no chão e solto um sorriso...  As pessoas me perguntam: O que foi?  E eu digo que lembrei de uma coisa muito boa...  Vamos continuar juntos, semeando alegrias e esperanças, fazendo a sorte de milhares de pessoas.

Participe, e juntos construiremos uma comunidade melhor!!

 

César Paes Leme

 Presidente da AMA São Lourenço / Coordenador do BRD+A+ / Coordenador da Superviadigital

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

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